{"id":1197,"date":"2014-08-19T18:28:31","date_gmt":"2014-08-19T18:28:31","guid":{"rendered":"http:\/\/polegarmente.me\/?p=1197"},"modified":"2015-06-21T17:59:17","modified_gmt":"2015-06-21T17:59:17","slug":"juventude-em-marcha-pedro-costa","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/polegarmente.me\/?p=1197","title":{"rendered":"Juventude em marcha, Pedro Costa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-sentado-p\u00e1gina-rosto-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1198\" alt=\"Ventura sentado (p\u00e1gina rosto - 1)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-sentado-p\u00e1gina-rosto-1-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-sentado-p\u00e1gina-rosto-1-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-sentado-p\u00e1gina-rosto-1-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-sentado-p\u00e1gina-rosto-1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a> Ficha t\u00e9cnica:<\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o: Pedro Costa<br \/>\nElenco: Ventura (Ventura), Vanda Duarte, Beatriz Duarte, Gustavo Sumpta, Cila Cardoso, Isabel Cardoso (Clotilde), Alberto \u2018Lento\u2019 Barros (Lento), Ant\u00f3nio Semedo, Paulo Nunes, Jos\u00e9 Maria Pina, Andr\u00e9 Semedo, Silva \u2018Nana\u2019 Alexandre, Paula Barrulas<br \/>\nProdutor: Francisco Villa-Lobos<br \/>\nG\u00e9nero: Drama<br \/>\nPortugal, 2006, 155\u2019<\/p>\n<p><strong>Dois bairros: uma mem\u00f3ria errante<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Casa-de-Clotilde-p\u00e1g.2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1199 aligncenter\" alt=\"Casa de Clotilde (p\u00e1g.2)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Casa-de-Clotilde-p\u00e1g.2-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Casa-de-Clotilde-p\u00e1g.2-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Casa-de-Clotilde-p\u00e1g.2-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Casa-de-Clotilde-p\u00e1g.2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a style=\"line-height: 1.5em;\" href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-chamando-Vanda-p\u00e1g.2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1200\" alt=\"Ventura chamando Vanda (p\u00e1g.2)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-chamando-Vanda-p\u00e1g.2-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-chamando-Vanda-p\u00e1g.2-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-chamando-Vanda-p\u00e1g.2-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-chamando-Vanda-p\u00e1g.2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Juventude em marcha<\/em> \u00e9 um filme sobre os outros que poder\u00edamos ter sido ou sobre como a humanidade sobrevive nos outros que tamb\u00e9m somos n\u00f3s. O argumento f\u00edlmico alicer\u00e7a-se no realojamento dos habitantes do bairro das Fontainhas, quase todo demolido, no novo bairro de habita\u00e7\u00e3o social de Casal da Boba. Quando Pedro Costa filma restam poucos sobreviventes no bairro das Fontainhas. Todavia, a mudan\u00e7a a que se assiste n\u00e3o \u00e9 somente geogr\u00e1fica, \u00e9 afectiva. \u00c9 que a par de um enraizamento espacial, h\u00e1 um enraizamento emotivo, repleto de mem\u00f3rias, que alberga a identidade de cada ser humano. A sombra que vagueia e nos conduz neste trajecto, ao longo de duas horas e meia, n\u00e3o \u00e9 simulacro plat\u00f3nico, \u00e9 Ventura: o anci\u00e3o das gentes das Fontainhas. Uma esp\u00e9cie de mem\u00f3ria errante que deambula entre o antigo e o novo bairros. Um ex-oper\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o civil que em 1972 imigra para Portugal \u00e0 procura de uma realidade sonhada, mas que persiste em ser irrealiz\u00e1vel. Homem de grande estatura, de escassos cabelos (brancos) e de olhos que transmitem uma quietude perturbadora e desconcertante, dado que nunca clamam pela piedade do espectador, tendo em conta as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es da sua exist\u00eancia, Ventura \u00e9 o protagonista que oscila entre um universo real e um universo on\u00edrico. Pedro Costa filma Ventura, e as pessoas que habitavam ou habitam o bairro das Fontainhas, com um olhar simultaneamente pr\u00f3ximo e distanciado. A proximidade adv\u00e9m do facto de durante quase dois anos ter vivido na Rua das Fontainhas &#8211; quando filmou <em>No quarto de Vanda<\/em> -, de ter tentado compreender o \u201c<em>modus vivendi<\/em>\u201d destas pessoas e de deixar as personagens fazerem de si pr\u00f3prias no filme. De facto, com excep\u00e7\u00e3o de Gustavo Sumpta, todos s\u00e3o n\u00e3o-actores. O distanciamento manifesta-se na sua preocupa\u00e7\u00e3o-mor: como captar, sem trair a ess\u00eancia \u2013 ou parte dela, dado que como afirma \u00aba vida n\u00e3o cabe num filme\u00bb[1]\u00a0 \u2013, de Ventura e dos outros que o rodeiam ou que ele rodeia? Atrav\u00e9s do ritmo, das pausas e sil\u00eancios, dos planos com que captou pessoas, objectos, casas, da cor ou da sua aus\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vislumbra-se uma esp\u00e9cie de distanciamento respeitoso, consciente que h\u00e1 uma impossibilidade esp\u00e1cio-temporal e ontol\u00f3gica que n\u00e3o lhe permite colocar-se no lugar daqueles que filma. O realizador rejeita esta rela\u00e7\u00e3o transferencial porque sabe que as mem\u00f3rias, repletas de experi\u00eancias dolorosas, e de outras viv\u00eancias, s\u00e3o inalien\u00e1veis, o reduto inviol\u00e1vel da autenticidade humana. O que resta do bairro das Fontainhas? Que elementos s\u00e3o expostos pelo realizador? <a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-descendo-p\u00e1g.-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1201 aligncenter\" alt=\"Ventura descendo (p\u00e1g. 3)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-descendo-p\u00e1g.-3-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-descendo-p\u00e1g.-3-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-descendo-p\u00e1g.-3-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-descendo-p\u00e1g.-3.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos levados a um espa\u00e7o no qual as ruas n\u00e3o s\u00e3o ruas, s\u00e3o becos; as casas n\u00e3o s\u00e3o casas, s\u00e3o casebres; as janelas n\u00e3o s\u00e3o janelas, s\u00e3o buracos que, ami\u00fade, se pregam com t\u00e1buas de madeira ou gradeamentos em ferro que lembram um c\u00e1rcere. Os espa\u00e7os s\u00e3o ex\u00edguos e as paredes, quer interiores, quer exteriores, sujas, esburacadas, despidas de ornamentos, s\u00e3o reveladoras de uma aus\u00eancia-presen\u00e7a: aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es dignas de exist\u00eancia; presen\u00e7a de uma hist\u00f3ria de sobreviventes. Atrav\u00e9s de camas que quase se amontoam, de uma mesa e de um candeeiro a g\u00e1s, Pedro Costa representa a pobreza enquanto manifesta\u00e7\u00e3o minimalista da vida. Nesta ambi\u00eancia, a luz cede lugar ao sombrio. A negritude de Ventura \u00e9 um prolongamento da negritude do espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-casebre-de-Lento-\u00e0-mesa-p\u00e1g.3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1202\" alt=\"Ventura no casebre de Lento \u00e0 mesa (p\u00e1g.3)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-casebre-de-Lento-\u00e0-mesa-p\u00e1g.3-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-casebre-de-Lento-\u00e0-mesa-p\u00e1g.3-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-casebre-de-Lento-\u00e0-mesa-p\u00e1g.3-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-casebre-de-Lento-\u00e0-mesa-p\u00e1g.3.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme parece ser a preto e branco. Raros s\u00e3o os momentos em que a cor ou cores irrompem e, quando tal acontece, Pedro Costa utiliza o intenso contraste: o cadeir\u00e3o vermelho \u00e0 porta do casebre de Bete, o Retrato de <em>H\u00e8l\u00e9ne Fourment<\/em> de Rubens e o<em> Retrato de homem<\/em>, de Van Dyck, entre os quais Ventura aparece como personagem de outra \u00e9poca e o sof\u00e1 r\u00f3seo, no qual Ventura se senta, no interior da Gulbenkian.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-\u00e0-porta-de-Bete-p\u00e1g.4.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1206\" alt=\"Ventura no sof\u00e1 \u00e0 porta de Bete (p\u00e1g.4)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-\u00e0-porta-de-Bete-p\u00e1g.4-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-\u00e0-porta-de-Bete-p\u00e1g.4-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-\u00e0-porta-de-Bete-p\u00e1g.4-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-\u00e0-porta-de-Bete-p\u00e1g.4.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-da-Gulbenkian-p\u00e1g.-4.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1205\" alt=\"Ventura no sof\u00e1 da Gulbenkian (p\u00e1g. 4)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-da-Gulbenkian-p\u00e1g.-4-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-da-Gulbenkian-p\u00e1g.-4-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-da-Gulbenkian-p\u00e1g.-4-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Ventura-no-sof\u00e1-da-Gulbenkian-p\u00e1g.-4.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ventura n\u00e3o \u00e9 um homem qualquer. Pedro Costa refere-se-lhe como \u00abaquele homem grande\u00bb[2]\u00a0. E a sua peculiaridade reside n\u00e3o s\u00f3, mas tamb\u00e9m, no modo como aparece vestido: fato preto, camisa branca. H\u00e1 algo de altivo e inquietante nesta apari\u00e7\u00e3o. Como se a sua figura estivesse simultaneamente dentro e fora do seu ambiente, do seu \u201cquadro\u201d. E que dizer do novo bairro de habita\u00e7\u00e3o social? Pedro Costa recorre, mais uma vez, ao contraste crom\u00e1tico: branco, demasiado branco, de uma luminosidade que fere a vis\u00e3o do espectador. Esta brancura, quer das <a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Semedo-chamando-Ventura-p\u00e1g.4.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1204\" alt=\"Semedo chamando Ventura (p\u00e1g.4)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Semedo-chamando-Ventura-p\u00e1g.4-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Semedo-chamando-Ventura-p\u00e1g.4-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Semedo-chamando-Ventura-p\u00e1g.4-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Semedo-chamando-Ventura-p\u00e1g.4.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>paredes interiores, quer das paredes exteriores dos pr\u00e9dios \u00e9 sin\u00f3nimo de car\u00eancia. Car\u00eancia dos afectos e de uma biografia que estas casas, estes pr\u00e9dios, n\u00e3o possuem. Por isso, Bete, uma sobrevivente do bairro das Fontainhas, dir\u00e1 a Ventura: \u00abQuando nos derem paredes brancas, pararemos de ver as coisas. Ent\u00e3o, tudo ter\u00e1 acabado.\u00bb Conv\u00e9m relembrar que, se na nossa cultura o branco \u00e9 sin\u00f3nimo de luminosidade e paz, para os japoneses, por exemplo, \u00e9 a cor que simboliza a tristeza, o azar e a morte. Pedro Costa, com a sua mestria, inverte a topografia dos afectos: naquele bairro degradado havia \u201c<em>anima<\/em>\u201d, um pulsar din\u00e2mico &#8211; moldado pelos gritos das crian\u00e7as, pelos ru\u00eddos que invadem os becos, pelos animais que vagabundeiam- que aproximava as suas gentes; este, o novo bairro social, de cimento e bet\u00e3o, \u00e9 a anula\u00e7\u00e3o dessas hist\u00f3rias vividas, descritas e reinventadas no filme. O realizador filma estes pr\u00e9dios, dando-nos a impress\u00e3o de que estamos perante uma nova e outra pris\u00e3o. Por exemplo, quando capta o espa\u00e7o exterior (recorrendo ao enquadramento contrapicado) com Ventura sentado, \u00e9 como se este homem estivesse a ser asfixiado por toneladas de bet\u00e3o. Ali\u00e1s, quase todos os planos do filme s\u00e3o de \u00abc\u00e2mara baixa\u00bb[3]\u00a0.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Aranhas-p\u00e1g.5.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1208\" alt=\"Aranhas (p\u00e1g.5)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Aranhas-p\u00e1g.5-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Aranhas-p\u00e1g.5-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Aranhas-p\u00e1g.5-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Aranhas-p\u00e1g.5.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed a resist\u00eancia de Ventura em mudar-se. T\u00e3o branco, t\u00e3o novo, t\u00e3o perfeito, como pretende Andr\u00e9 Semedo, que at\u00e9 \u00abtem aranhas\u00bb, ironizar\u00e1 Ventura! Da\u00ed o regresso ao velho \u2013 mas seu \u2013 bairro das Fontainhas. As visitas \u00e0 sua \u201cprole\u201d s\u00e3o, apenas, um pretexto, que servem o retorno \u00e0 genealogia dos afectos. Mas esta demanda de Ventura pelos afectos, pelo espa\u00e7o e tempo sonhados, tem mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, altura em que imigrou para Portugal. N\u00e3o \u00e9 por acaso que naquele casebre que partilha com Lento existe um gira-discos com o qual Ventura entra em comunh\u00e3o com a sua cultura, com o espa\u00e7o e o tempo de outrora, aquele em que viveu em Cabo Verde.<a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Gira-discos-p\u00e1g.-6.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1209\" alt=\"Gira-discos (p\u00e1g. 6)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Gira-discos-p\u00e1g.-6-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Gira-discos-p\u00e1g.-6-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Gira-discos-p\u00e1g.-6-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Gira-discos-p\u00e1g.-6.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A economia ou supress\u00e3o de objectos presente no filme exprime por um lado, a priva\u00e7\u00e3o; mas, por outro, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o do realizador que real\u00e7a uns elementos em detrimento de outros. O gira-discos, o cadeir\u00e3o vermelho, o fato de Ventura, o globo do Imp\u00e9rio na sala de Vanda, s\u00e3o alguns elementos c\u00e9nicos que Pedro Costa utiliza para nos reenviar para uma outra realidade. Mas h\u00e1 outros, imagens que parecem repetidas: o mesmo Ventura imp\u00e1vido e de p\u00e9, \u00e0 entrada da(s) porta(s),fora e dentro da casa ou das casas, como se n\u00e3o se n\u00e3o adivinh\u00e1ssemos se est\u00e1 entrar ou a sair; os planos alternados dos dois bairros, nos quais Ventura surge como verdadeira apari\u00e7\u00e3o. No filme, n\u00e3o h\u00e1 uma realidade, mas v\u00e1rias que conflituam entre si. \u00abA gordura psicol\u00f3gica\u00bb[4]\u00a0 das personagens, usando uma express\u00e3o do realizador, \u00e9 coextensiva do tempo que se nega a si pr\u00f3prio: de um tempo lento, muito lento que ajuda a captar a intensidade e o ensimesmamento de Ventura. \u00c9 como se o tempo psicol\u00f3gico (semi-real, semi-on\u00edrico) se sobrepusesse ao (real) tempo cronol\u00f3gico. Mas se o tempo \u00e9 outro, igualmente as pausas, os sil\u00eancios, ajudam a criar uma certa ambi\u00eancia de surrealidade com a qual o filme se nutre. Assim, o processo narrativo sustenta-se na elipse, atrav\u00e9s da qual o realizador incita o espectador no sentido de o levar a preencher as ambiguidades, os espa\u00e7os vazios, as falas ausentes, os sil\u00eancios copresentes, deixando-lhe uma amplid\u00e3o de hermen\u00eauticas poss\u00edveis. Um dos elementos mais intrigantes e marcantes, que perpetua essa atmosfera ou ambi\u00eancia aludida, \u00e9 a Carta, a carta que Lento pede a Ventura que escreva. Mas n\u00e3o \u00e9 uma carta qualquer: \u00e9 uma carta de Amor a Arcangela, sua esposa, que est\u00e1 em Cabo Verde e que far\u00e1 anos no dia quatro de dezembro. A carta descreve, tamb\u00e9m, as agruras de quotidiano. A carta irrompe no filme sob a forma fragment\u00e1ria, quer dizer, vai sendo paulatinamente criada. Ao longo do filme s\u00e3o, pelo menos, sete as vezes em que \u00e9 dita e redita, constru\u00edda e reconstru\u00edda. Nestas cenas, Ventura n\u00e3o \u00e9 mais o ex-pedreiro, \u00e9 o xamane que evoca o passado. Atrav\u00e9s dela Ventura evoca a mulher amada, real (Clotilde?) ou sonhada. N\u00e3o se sabe. Atrav\u00e9s dela, o passado \u00e9 presentificado porque afectivamente valorizado e o presente anulado. E \u00e9 no contraste entre estas duas temporalidades (realidades) que est\u00e1 a g\u00e9nese, segundo Joaquim de Carvalho[5]\u00a0 da saudade[6]\u00a0 . Poder-se-\u00e1 ser saudoso do que n\u00e3o se viveu? Do que se sonhou? Trata-se de uma carta reinventada. Uma carta cuja inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 o poeta franc\u00eas, surrealista, Robert Desnos[7]\u00a0. Desnos integrou o movimento da Resist\u00eancia francesa e foi capturado e aprisionado em 1944, pelos nazis, e enviado para os campos de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz, Floha, e depois para o de Terezin, onde acabou por falecer um ano depois. Durante o seu encarceramento escreveu a Carta que Ventura reescreve. Este dado capital permite acrescentar algumas ideias a esta pequena reflex\u00e3o: primeiro, a intensidade dram\u00e1tica que subjaz ao tempo e ao espa\u00e7o de onde emerge; segundo, a homenagem que Pedro Costa presta, por interm\u00e9dio de Ventura, a Robert Desnos e, finalmente, como s\u00f3 a poesia pode ter a pretens\u00e3o de exprimir a profundidade do Amor, do Sofrimento, ou seja, a autenticidade da Vida.Eis as duas cartas:<\/p>\n<p>Carta de <strong>Robert Desnos<\/strong> a Youki:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00ab(&#8230;) Gostava de te oferecer 100.000 cigarros louros, doze vestidos de grandes costureiros, o apartamento da Rua de Seine, um autom\u00f3vel, a casinha da mata de Campi\u00e8gne, a de Belle-Isle e um raminho de flores de cinco tost\u00f5es. Na minha aus\u00eancia, compra \u00e0 mesma as flores, que eu tas pagarei. O resto, prometo-o para mais tarde. Mas, acima de tudo, bebe uma garrafa de bom vinho e pensa em mim.\u00bb<\/p>\n<p>Carta de <strong>Ventura<\/strong>:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abNha cretcheu, meu amor, O nosso encontro vai tornar a nossa vida mais bonita por mais trinta anos. Pela minha parte, volto mais novo e cheio de for\u00e7a. Eu gostava de te oferecer 100.000 cigarros, uma d\u00fazia de vestidos daqueles mais modernos, um autom\u00f3vel, uma casinha de lava que tu tanto querias, um ramalhete de flores de quatro tost\u00f5es. Mas antes de todas as coisas bebe uma garrafa de vinho do bom, e pensa em mim. Aqui o trabalho nunca p\u00e1ra. Agora somos mais de cem. Anteontem, no meu anivers\u00e1rio foi altura de um longo pensamento para ti. A carta que te levaram chegou bem? N\u00e3o tive resposta tua. Fico \u00e0 espera. Todos os dias, todos os minutos, aprendo umas palavras novas, bonitas, s\u00f3 para n\u00f3s dois. Mesmo assim \u00e0 nossa medida, como um pijama de seda fina. N\u00e3o queres? S\u00f3 te posso chegar uma carta por m\u00eas. Ainda sempre nada da tua m\u00e3o. Fica para a pr\u00f3xima. \u00c0s vezes tenho medo de construir essas paredes. Eu com a picareta e o cimento. E tu, com o teu sil\u00eancio. Uma vala t\u00e3o funda que te empurra para um longo esquecimento. At\u00e9 d\u00f3i c\u00e1 ver estas coisas mas que n\u00e3o queria ver. O teu cabelo t\u00e3o lindo cai-me das m\u00e3os como erva seca. \u00c0s vezes perco as for\u00e7as e julgo que vou esquecer-me.\u00bb<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.5em;\">Um filme-desvelamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na ret\u00f3rica do Juventude em Marcha, Pedro Costa nunca utilizou o \u201cargumentum ad misericordiam\u201d, nem mesmo quando as condi\u00e7\u00f5es miserabilistas das exist\u00eancias de Ventura, de Clotilde, de Lento, de Paulo, da sua filha Vanda \u2013 uma das \u201cfelizes\u201d realojadas \u2013 s\u00e3o desveladas. Sim, o filme de Pedro Costa \u00e9 um filme-desvelamento. Desvelamento ante as circunst\u00e2ncias e constrangimentos da vida. Desvelamento das mem\u00f3rias afectivas, muitas vezes dolorosas, poucas vezes prazenteiras \u2013 de pessoas, de lugares, de situa\u00e7\u00f5es, de objectos \u2013 com que se forja a unicidade de cada ser humano. Desvelamento do sonho perdido ou extraviado. Em nenhuma cena Ventura grita. Em nenhuma cena parece revoltar-se. Ser\u00e1 porque a revolta \u00e9 silenciosa? Ou porque o di\u00e1logo mais profundo \u00e9 sempre um solil\u00f3quio interior, indiz\u00edvel? Estas quest\u00f5es trazem-me \u00e0 mem\u00f3ria a sabedoria de Cioran[8]. Sim, Pedro Costa lembra-me Cioran e Cioran lembra-me Pedro Costa. Cioran \u00e9 um fil\u00f3sofo org\u00e2nico[9], isto \u00e9, da filosofia ou pensamento que brota da carne, dos ossos, do sofrimento; Pedro Costa, um realizador org\u00e2nico. Para Cioran h\u00e1 uma fisiologia do pensar, um sentir pr\u00e9 cognitivo, que antecipa o afectivo como crit\u00e9rio da realidade: \u00abTudo o que escrevi foi ditado pelos meus estados, pelas minhas crises de toda a ordem. N\u00e3o parto de uma ideia, a ideia vem depois.\u00bb[10]. Pedro Costa afirmar\u00e1: \u00abNunca escrevo um gui\u00e3o, n\u00e3o tenho ideias de cinema nem tenho imagina\u00e7\u00e3o. (&#8230;) E quanto menos penso, melhor. Muito melhor ser\u00e1 o filme.\u00bb[11] Um, \u00e9 fil\u00f3sofo de rua; o outro, realizador de rua. Ambos se vinculam, inexoravelmente, \u00e0 exist\u00eancia vivida\/sentida.<br \/>\nPedro Costa compreendeu que o mutismo de Ventura pertence \u00e0 ess\u00eancia de todo o homem sofredor. Daquele que enfrenta com heroicidade, tal como S\u00edsifo, a tragicidade da sua exist\u00eancia, a sua desVentura. Juventude em Marcha \u00e9 um filme, simultaneamente, cruel e po\u00e9tico. Cruel, no sentido em que desnuda sem pudor o grau zero da exist\u00eancia (existir\u00e1?) e em que retrata o fragmento de um pa\u00eds, Portugal, longe da \u201cidade do ouro\u201d, secularmente narrada. E os bairros espelhados talvez sejam a met\u00e1fora de um pa\u00eds-c\u00e1rcere. De um pa\u00eds que se revelou incapaz de praticar uma pol\u00edtica efectiva de integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes. Mas esta crueldade patente no filme \u00e9 o eco da crueldade imanente \u00e0s vidas captadas ou filmadas. E po\u00e9tico&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Lento-e-Ventura-de-m\u00e3os-entrela\u00e7adas-p\u00e1g.-10.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1212\" alt=\"Lento e Ventura de m\u00e3os entrela\u00e7adas (p\u00e1g. 10)\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Lento-e-Ventura-de-m\u00e3os-entrela\u00e7adas-p\u00e1g.-10-300x187.jpg\" width=\"300\" height=\"187\" srcset=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Lento-e-Ventura-de-m\u00e3os-entrela\u00e7adas-p\u00e1g.-10-300x187.jpg 300w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Lento-e-Ventura-de-m\u00e3os-entrela\u00e7adas-p\u00e1g.-10-1024x640.jpg 1024w, http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/Lento-e-Ventura-de-m\u00e3os-entrela\u00e7adas-p\u00e1g.-10.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando a sombra \u00e9 t\u00e3o aconchegante quanto as m\u00e3os entrela\u00e7adas de Ventura e de Lento;<br \/>\nQuando se reinventa a poesia e ela brota nos lugares mais in\u00f3spitos;<br \/>\nQuando o sil\u00eancio \u00e9 sonoro;<br \/>\nQuando se erige Ventura no anci\u00e3o dos afectos, no guardi\u00e3o das mem\u00f3rias errantes. Pois tal como ele, tamb\u00e9m elas est\u00e3o e estar\u00e3o sempre em marcha&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">__________________________________________________<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Guimar\u00e3es, P., Ribeiro, D., Entrevista a Pedro Costa, 29\/10\/2007.<br \/>\n[2] Duarte, Daniel, et al. O Cinema de Pedro Costa, Brasil, Centro Cultural do Brasil, 2010, p\u00e1g. 29.<br \/>\n[3] Sobre esta op\u00e7\u00e3o, o realizador afirmar\u00e1: \u00abEu tive que descobrir como poderia colocar-me \u00e0 sua altura com a minha c\u00e2mara. A c\u00e2mara teve que descer e descer e descer, porque n\u00e3o poderia estar \u00e0 altura dele. Eu precisava de estar abaixo. N\u00e3o foi instintiva, mas nas primeiras semanas de filmagem eu adoptei essa altura, esse posicionamento, esse respeito (&#8230;).\u00bb Idem, ibidem.<br \/>\n[4] Guimar\u00e3es, P., Ribeiro, D., Entrevista a Pedro Costa, 29\/10\/2007.<br \/>\n[5] 892-1958.<br \/>\n[6] Cf. Joaquim de Carvalho, A problem\u00e1tica da Saudade (1950), Lisboa Editora, 2004.<br \/>\n[7] 1900-1945.<br \/>\n[8]Emil Cioran (1911-1995). S\u00f3 duas viv\u00eancias que Cioran apelida de radicais, no sentido etimol\u00f3gico de rizoma, permitir\u00e3o ao ser humano aceder ao seu reconhecimento, \u00e0 sua \u201cre-entrada\u201d em si: o Amor e o Sofrimento.<br \/>\n[9] \u00abJamais compreenderei como foi poss\u00edvel encarar o corpo como ilus\u00e3o, como n\u00e3o compreenderei como foi poss\u00edvel conceber o esp\u00edrito fora do drama da vida, das suas contradi\u00e7\u00f5es, das suas defici\u00eancias. \u00c9 com toda a evid\u00eancia n\u00e3o ter consci\u00eancia da carne, dos nervos e de cada \u00f3rg\u00e3o.\u00bb Cioran, Sur les cimes du d\u00e9sespoir (1933) In Oeuvres,1995, pp.50-51.<br \/>\n[10] Cioran, Entretien avec Gerd Bergfleth (1987), Entretiens, p.151.<br \/>\n[11] Entrevista a Pedro Costa. PhotoEspa\u00f1a, 2009, \u201cPedro Costa \u2013 O Cinema \u00e9 um of\u00edcio, \u00e9 como ser pedreiro\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">__________________________________________________<\/span><\/p>\n<p><strong>FILMOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p>JUVENTUDE EM MARCHA, Pedro Costa, Contracosta Produ\u00e7\u00f5es, 2006.<\/p>\n<p><strong><span style=\"line-height: 1.5em;\">BIBLIOGRAFIA<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAPTISTA, Tiago. A inven\u00e7\u00e3o do Cinema Portugu\u00eas. Lisboa: Tinta da China, 2008.<br \/>\nBUTCHER, Pedro. Entrevista a Pedro Costa em Cannes, 2009. Cin\u00e9tica, Revista de Cinema e Cr\u00edtica. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.revistacinetica.com.br\/entpedrocosta.htm. Consultado em 27 de dezembro de 2012.<br \/>\nCABO, Ricardo (org.) et al. Cem mil Cigarros \u2013 Os Filmes de Pedro Costa. Lisboa: Orfeu Negro, 2009.<br \/>\nCARVALHO Joaquim. A Problem\u00e1tica da Saudade (1950). Lisboa: Lisboa Editora, 2004. CIORAN, Emil. Sur les cimes du d\u00e9sespoir (1933) In Oeuvres. Paris: Gallimard, 1995. Entretiens. Paris: Gallimard, 1995.<br \/>\nDUARTE, Daniel, et al. O Cinema de Pedro Costa. Brasil: Centro Cultural do Brasil, 2010.<br \/>\nENTREVISTA a Pedro Costa. PhotoEspa\u00f1a 2009 &#8211; Pedro Costa \u2013 O Cinema \u00e9 um of\u00edcio, \u00e9 como ser pedreiro. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.snpcultura.org\/vol_o_cinema_e_um_oficio_como_ser_pedreiro.html. Consultado em 20 de Dezembro de 2012.<br \/>\nZUN\u00c1I. Robert Desnos. Revista de Poesia &amp; Debates. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.revistazunai.com\/traducoes\/robert_desnos1.htm. Consultado em 26 de Dezembro de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Elsa Cerqueira<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">_______________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nota Marginal Um<\/strong>: Artigo publicado na Revista <em>Finis Mundi<\/em>, Lisboa, IAEGCA, Outubro-Dezembro, 2013, n.\u00ba 7.<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/KlHBq86OIPg\" height=\"315\" width=\"560\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\"><\/iframe> \u00a0 <iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/SpXCnLxcB98\" height=\"315\" width=\"560\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ficha t\u00e9cnica: Realiza\u00e7\u00e3o: Pedro Costa Elenco: Ventura (Ventura), Vanda Duarte, Beatriz Duarte, Gustavo Sumpta, Cila Cardoso, Isabel Cardoso (Clotilde), Alberto \u2018Lento\u2019 Barros (Lento), Ant\u00f3nio Semedo, Paulo Nunes, Jos\u00e9 Maria Pina, Andr\u00e9 Semedo, Silva \u2018Nana\u2019 Alexandre, Paula Barrulas Produtor: Francisco Villa-Lobos G\u00e9nero: Drama Portugal, 2006, 155\u2019 Dois bairros: uma mem\u00f3ria errante Juventude em marcha \u00e9 um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1197"}],"collection":[{"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1197"}],"version-history":[{"count":41,"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1197\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1374,"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1197\/revisions\/1374"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}