{"id":1279,"date":"2014-12-31T16:09:30","date_gmt":"2014-12-31T16:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/polegarmente.me\/?p=1279"},"modified":"2015-01-04T14:54:32","modified_gmt":"2015-01-04T14:54:32","slug":"quando-eu-morrer-no-clube-de-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/polegarmente.me\/?p=1279","title":{"rendered":"Clube de Cinema"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1280\" style=\"width: 212px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/CLUBE-CINEMA.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1280\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1280\" alt=\"CLUBE CINEMA\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/CLUBE-CINEMA-202x300.jpg\" width=\"202\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/CLUBE-CINEMA-202x300.jpg 202w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/CLUBE-CINEMA-689x1024.jpg 689w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/CLUBE-CINEMA.jpg 1297w\" sizes=\"(max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1280\" class=\"wp-caption-text\">Cartaz do Clube de Cinema<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1.Clube de Cinema\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Clube de Cinema (CC) surgiu, no ano lectivo 2012-13, da jun\u00e7\u00e3o entre duas ordens de natureza distintas, a volunt\u00e1ria e a normativa. A primeira, dado que se alicer\u00e7a na motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca da sua proponente em utilizar as curtas-metragens como instrumentos did\u00e1cticos para transmitir, problematizar e consolidar conte\u00fados; a segunda decorre da obrigatoriedade em assegurar a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o n\u00e3o lectivo na Escola Secund\u00e1ria\/3 de Amarante e da abertura da sua Direc\u00e7\u00e3o em aceitar o meu projecto.<br \/>\nA sua premissa radica no pressuposto de que os alunos, n\u00e3o s\u00e3o espectadores passivos, meros recept\u00e1culos de informa\u00e7\u00e3o, paradigma predominante no modelo de ensino psitacista, mas seres activos no desenvolvimento das suas compet\u00eancias ou habilidades cognitivas, afectivas e conativas.<br \/>\nOs jovens s\u00e3o, por natureza seres questionadores, fil\u00f3sofos em pot\u00eancia, e s\u00f3 uma pedagogia criativa que eduque e estimule simultaneamente a vis\u00e3o, o olhar, &#8211; ou n\u00e3o viv\u00eassemos numa sociedade cujo paradigma \u00e9 a linguagem audiovisual &#8211; e as habilidades inerentes ao pensar \u00e9 que poder\u00e1 estimular o desenvolvimento de cidad\u00e3os cr\u00edticos e interventivos.<br \/>\nA utiliza\u00e7\u00e3o de curtas-metragens decorre do constrangimento temporal ou dura\u00e7\u00e3o semanal do CC. Os tr\u00eas blocos de 50 minutos semanais poder\u00e3o estar distribu\u00eddos por tr\u00eas dias (3X50 m.) ou por dois (1 bloco de 50 + 1 bloco de 100 m.). E os alunos poder\u00e3o deslocar-se e usufruir dele nos dias e horas publicitados no cartaz criado para esse efeito pelo artista e professor J\u00falio Cunha.<br \/>\nTodos os alunos quer do 3.\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico (7\u00ba, 8\u00ba e 9\u00ba anos), quer do ensino secund\u00e1rio (10\u00ba, 11\u00ba e 12\u00ba anos) poder\u00e3o optar por uma sess\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/335.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1288\" alt=\"335\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/335-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/335-300x199.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/335-1024x680.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\nEis alguns dos t\u00edtulos das curtas-metragens exibidas no CC:<br \/>\nA noite saiu \u00e0 rua (Abi Feij\u00f3, 1987); Meat Love (Jan Svankmajer, 1989); Uncle (Adam Elliot, 1996); The old lady and the pigeons (Sylvan Chomet, 1998); The old man and the sea (Alexander Petrov, 1999); Alferes (J\u00falio Alves, 2000); Music for apartment and six drummers (Nilsson e Simonsson, 2001); Hist\u00f3ria Tr\u00e1gica com um final feliz (Regina Pessoa, 2005); Wasp (Andrea Arnold, 2005); Quando eu morrer (L. Vieira Campos, 2006); Ossudo (J\u00falio Alves, 2007), La flor m\u00e1s grande del mundo ( J. Pablo Etcheverry, 2007); China, China (Rodrigues e Mata, 2007); Madame Tutli-Putli (Lavis &amp; Szczerbowski, 2007); El Empleo (S. Bou Grasso, 2008); P\u00e1ssaros (Filipe Abranches, 2009); O Jogo (J\u00falio Alves, 2010); Invention of Love (Andrey Shushkov, 2010), Wind (Robert Lobel, 2013).<\/p>\n<p><strong>1.1.Metodologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A educa\u00e7\u00e3o do olhar, como requisito da amplia\u00e7\u00e3o do pensar, tem um cariz essencialmente pr\u00e1tico. Visa mobilizar o contemplado, entrecruzando-o com as viv\u00eancias dos alunos e com os conhecimentos program\u00e1ticos da disciplina de filosofia. No caso de alunos que frequentem o 3.\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico haver\u00e1, inevitavelmente, o aprimoramento do pensar, do sentir e do imaginar convocando as experi\u00eancias vividas \u201cdentro\u201d e \u201cfora\u201d do filme, quer dizer, as cenas que integram a narrativa f\u00edlmica e as suas viv\u00eancias, sobretudo no dom\u00ednio dos valores \u00e9ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Clube-de-Cinema.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1292\" alt=\"Clube de Cinema\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Clube-de-Cinema-200x300.jpg\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Clube-de-Cinema-200x300.jpg 200w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Clube-de-Cinema-682x1024.jpg 682w\" sizes=\"(max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/DSC_0242.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1295\" alt=\"DSC_0242\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/DSC_0242-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/DSC_0242-300x199.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/DSC_0242-1024x680.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\nH\u00e1 sempre um gui\u00e3o de an\u00e1lise f\u00edlmica[1]\u00a0 que pode n\u00e3o ser formalmente apresentado mas seguido, mediante a interpela\u00e7\u00e3o oral \u2013 e por vezes escrita \u2013 individual e\/ou coletiva, pois tal como outro recurso educativo, um livro por exemplo, tamb\u00e9m o filme necessita de ser laboriosamente visto e revisto, descoberto e redescoberto pelo professor. Poderia abordar nas aulas a \u00e9tica utilitarista de Stuart Mill sem ler a sua obra o Utilitarismo? Obviamente que n\u00e3o. O mesmo se passa com qualquer obra f\u00edlmica. Da\u00ed a necessidade imperiosa da forma\u00e7\u00e3o e prepara\u00e7\u00e3o do professor neste dom\u00ednio.<\/p>\n<p><strong>1.2. Experienciar uma Curta-Metragem: <em>Quando eu morrer<\/em>[2] , Lu\u00eds Vieira Campos<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_1281\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-2.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1281\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1281 \" alt=\"M\u00e1rio Moutinho, Aurora Gaia, Odete M\u00f4sso          \" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-2-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-2-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Figura-2.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1281\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e1rio Moutinho, Aurora Gaia, Odete M\u00f4sso<br \/>Foto: Alexandre Carvalho<\/p><\/div>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\"><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong>:<\/span><\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o e argumento: Lu\u00eds Vieira Campos<br \/>\nElenco: Aurora Gaia, M\u00e1rio Moutinho, Odete Mosso, Jorge Loureiro, T\u00f3 Maia, Pedro Gaspar<br \/>\nM\u00fasica Original: Manuel Cruz (Ex. Ornatos Violeta)<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o Alf\u00e2ndega-Filmes<br \/>\nG\u00e9nero: Drama<br \/>\nPortugal, 2006,10\u2019<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sequ\u00eancia de imagens iniciais do filme \u00e9 enigm\u00e1tica. Guiados pelo olhar de Lu\u00eds Vieira Campos, o aluno percorre com o seu olhar as escadas de um pr\u00e9dio antigo (marcas do tempo vis\u00edveis, por exemplo, nos materiais do elevador). A subida \u00e9 ritmada pela m\u00fasica da autoria de Manel Cruz e o minimalismo no dom\u00ednio dos elementos c\u00e9nicos utilizados, uma escada, um elevador, ajuda a intensificar esta ambi\u00eancia misteriosa, tal como num filme hitchcockiano.<br \/>\nCapta-se (num plano contrapicado) uma ascens\u00e3o-inquieta\u00e7\u00e3o proped\u00eautica a todo o Filosofar. \u00c9 esta atitude com um misto de curiosidade e de aten\u00e7\u00e3o que um filme, tal como a Filosofia, deve suscitar.<br \/>\nO mon\u00f3logo interior do aluno-espectador \u00e9 inevit\u00e1vel: O que suceder\u00e1? Que descobertas farei? \u00c0 ascens\u00e3o (vida), suceder\u00e1 a queda (morte)?<br \/>\nLu\u00eds Vieira Campos filma com realismo os rituais milenares das vi\u00favas que vestem os seus mortos. O luto de D. Nat\u00e9rcia (Aurora Gaia) \u00e9 perten\u00e7a de todas.<br \/>\nEis-nos perante a problem\u00e1tica filos\u00f3fica da morte. A tomada de consci\u00eancia da finitude dos outros, \u00e9 coet\u00e2nea da nossa, e assim a constata\u00e7\u00e3o da nossa condi\u00e7\u00e3o de seres viventes introduz os alunos na indaga\u00e7\u00e3o sobre o sentido da vida. Interroga\u00e7\u00e3o simultaneamente pessoal e universal.<br \/>\nAo longo da narrativa f\u00edlmica h\u00e1 elementos visuais e sonoros que se abatem sobre o espectador-aluno e o despertam. Acompanhar as surpresas desveladas ao longo do filme \u00e9 aceder a um outro olhar sobre a realidade, neste caso, ficcionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Quando-eu-morrer-Lu\u00eds-Vieira-Campos2006.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1293\" alt=\"Quando eu morrer, Lu\u00eds Vieira Campos,2006\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Quando-eu-morrer-Lu\u00eds-Vieira-Campos2006-300x200.jpg\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Quando-eu-morrer-Lu\u00eds-Vieira-Campos2006-300x200.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Quando-eu-morrer-Lu\u00eds-Vieira-Campos2006-1024x685.jpg 1024w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Quando-eu-morrer-Lu\u00eds-Vieira-Campos2006.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 surpreendente perceber que, do ponto de vista psicol\u00f3gico, a vi\u00fava se metamorfoseia: do rigor e minucia com que passa a camisa, veste o marido e altivez iniciais, percecionada na reprova\u00e7\u00e3o feita aos funcion\u00e1rios da ag\u00eancia funer\u00e1ria, pela aresta danificada do caix\u00e3o, \u00e0 senhora afetuosa que abandona o caix\u00e3o para socorrer a vizinha (Odete M\u00f4sso)\u2026<br \/>\nDado que a experi\u00eancia da morte s\u00f3 pode ser indireta, mediada pela morte daqueles que nos s\u00e3o pr\u00f3ximos ou pelas imagens televisivas da morte dos an\u00f3nimos, os alunos frequentemente convocam para o di\u00e1logo as mortes dos seus familiares e amigos.<br \/>\nAs mortes de todos os dias, ou noites, n\u00e3o banalizam a pr\u00f3pria morte, dado que cada defunto, na \u00f3tica personalista, \u00e9 \u00fanico e insubstitu\u00edvel. Mas o filme n\u00e3o se reduz \u00e0 tem\u00e1tica da morte. Como refere Plat\u00e3o (s.d.) no F\u00e9don \u201ca \u00fanica tarefa da Filosofia propriamente dita \u00e9, sem que talvez os outros homens disso d\u00eaem conta, morrer e estar morto\u201d[3], a vida enquanto prepara\u00e7\u00e3o para a morte.<br \/>\nSegundo a filosofia &#8220;org\u00e2nica&#8221; de Emil Cioran, a experi\u00eancia da morte desvela-se enquanto experi\u00eancia da subjectividade. Nela, o eu e a morte n\u00e3o se dissociam. A morte emerge como o princ\u00edpio de negatividade da vida, marcando o seu triunfo sobre ela. A vida est\u00e1 prenhe de morte, \u00e9 morte em pot\u00eancia. Da\u00ed a inevitabilidade do \u201cconv\u00edvio\u201d destes opostos. O filme nutre-se deste di\u00e1logo bipolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Imagem3.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1306\" alt=\"Imagem3\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Imagem3-300x170.png\" width=\"300\" height=\"170\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Imagem3-300x170.png 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Imagem3.png 558w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 descida do caix\u00e3o, pelas escadas, sucede o pren\u00fancio de uma (nova) vida, com a imin\u00eancia do parto da vizinha. E a cena final na qual o carro abandona a sua condi\u00e7\u00e3o de funer\u00e1rio para se instituir em carro que alberga e socorre um novo ser, provocando esteticamente uma sensa\u00e7\u00e3o de estranhamento no aluno-espetador, \u00e9 repleta de um humor refinado e de uma ironia sublime, trazendo-me \u00e0 mem\u00f3ria os sketches dos Monty Python.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No CC as li\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas s\u00e3o li\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas. E Quando eu morrer possibilita:<br \/>\n1.Abordar a tem\u00e1tica da morte, desbanalizando-a.<br \/>\n\u00abEsta curta-metragem desmitifica a morte que \u00e9 um assunto tabu\u00bb (S\u00f3nia Borges, 12.\u00ba Ano).<br \/>\n2.Convocar as experi\u00eancias dos alunos.<br \/>\nConstatar, que \u00e0 vida sucede a morte e que h\u00e1 sempre algu\u00e9m prestes a morrer\/viver. Se estamos condenados a morrer, tamb\u00e9m estamos condenados a viver. A nossa \u201ccondena\u00e7\u00e3o\u201d \u00e0 morte ou \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o de mortais acarreta o uso do livre arb\u00edtrio em vida: \u00abQuando eu morrer, o mundo poder\u00e1, ou n\u00e3o, chorar por mim. Mas o certo \u00e9 que um dia, inevitavelmente, vou abra\u00e7ar a morte fazendo outro algu\u00e9m abra\u00e7ar a vida. \u00c9 por esta circunstancialidade que nos esfor\u00e7amos tanto para dar sentido \u00e0 nossa exist\u00eancia.\u00bb (Marco Pinheiro, 12.\u00ba Ano).<br \/>\n3.Problematizar se, do ponto de vista axiol\u00f3gico-valorativo, o ser \u00e9 mais importante que o n\u00e3o ser.<br \/>\n\u00abUma vida \u00e9 mais importante do que uma morte?\u00bb (Susana Pereira, 12.\u00ba Ano).<br \/>\n\u00abNa curta-metragem o que est\u00e1 em jogo s\u00e3o vidas. Enquanto uma vida se perde, h\u00e1 outra que (re) nasce. \u00c9 o ciclo da vida.\u00bb (Helena Leite, 12.\u00ba Ano).<br \/>\n\u00abA morte de uns precede o nascimento de outros. Mas, afinal, \u00e9 mais importante a morte de um ente querido ou o nascimento de algu\u00e9m (estranho)? A morte ou a vida?\u00bb (D\u00e9bora Costa, 12.\u00ba Ano).<br \/>\n4.Compreender que o sentido da nossa exist\u00eancia implica uma busca, simultaneamente, pessoal e social.<br \/>\n\u00abA morte \u00e9 imprescind\u00edvel \u00e0 vida. Ela possibilita a renova\u00e7\u00e3o dos seres, crucial \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o. Olhemo-la de forma natural. Ela imprime-nos o conceito de limita\u00e7\u00e3o e, portanto, conduz-nos \u00e0 procura de autorrealiza\u00e7\u00e3o.\u00bb (Carla Soares, 12.\u00ba Ano).<br \/>\n5. Questionar. As interroga\u00e7\u00f5es que o filme suscita &#8211; perfil psicol\u00f3gico das personagens, os cen\u00e1rios, a banda sonora, o tempo e o espa\u00e7o, o argumento \u2013 contribuem para a amplid\u00e3o dos olhares compreensivos, explicativos e cr\u00edticos sobre as obras visionadas. Um olhar segundo sobre o primeiro olhar.<br \/>\nEis alguns dos m\u00e9ritos da abordagem, simultaneamente, pedag\u00f3gica e filos\u00f3fica desta curta-metragem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cinema na Escola, educa\u00e7\u00e3o de um olhar segundo face ao primeiro, estimula as faculdades da sensibilidade, do entendimento e da imagina\u00e7\u00e3o, potenciando a forma\u00e7\u00e3o integral do espectador-aluno. A experi\u00eancia f\u00edlmica ou a recep\u00e7\u00e3o da obra cinematogr\u00e1fica \u00e9 concebida como o olhar filos\u00f3fico que se perde e se reencontra, que dialoga com os olhares dos outros (do professor, da obra e dos seus pares) permitindo a abertura a novos horizontes de sentido da exist\u00eancia.<br \/>\n____________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">[1]\u00a0<a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ROTEIRO-DE-QUEST\u00d5ESVF.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-1300 aligncenter\" alt=\"ROTEIRO DE QUEST\u00d5ESVF\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ROTEIRO-DE-QUEST\u00d5ESVF-212x300.jpg\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ROTEIRO-DE-QUEST\u00d5ESVF-212x300.jpg 212w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ROTEIRO-DE-QUEST\u00d5ESVF-723x1024.jpg 723w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/ROTEIRO-DE-QUEST\u00d5ESVF.jpg 1240w\" sizes=\"(max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">[2] Dispon\u00edvel em http:\/\/vimeo.com\/user32462034\/quandoeumorrer<br \/>\n[3] Tradu\u00e7\u00e3o de P.e. Eus\u00e9bio Dias Palmeira, Introdu\u00e7\u00e3o e Coment\u00e1rios, Maria Arminda Alves de Sousa, Porto Editora,Porto,1995. p\u00e1g. 31.<\/p>\n<p>____________________________<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">FILMOGRAFIA<\/span><\/p>\n<p>QUANDO EU MORRER, Lu\u00eds Vieira Campos, Alf\u00e2ndega-Filmes, 2006.<br \/>\nBIBLIOGRAFIA<\/p>\n<p>PLAT\u00c3O (s.d.), F\u00e9don, Tradu\u00e7\u00e3o de P.e. Eus\u00e9bio Dias Palmeira. Porto Editora, Porto,1995.<\/p>\n<p>MONTEIRO, Jo\u00e3o C\u00e9sar (1974). Morituri te Salutant.Lisboa, Edi\u00e7\u00e3o &amp; etc, Novembro, 1974.<br \/>\nWEBLIOGRAFIA<\/p>\n<p>QUANDO EU MORRER, [http:\/\/quandoeumorrer.blogspot.pt\/], (Site accessed 10 August 2014).<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Elsa Cerqueira<\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota Marginal: Comunica\u00e7\u00e3o (parcial) apresentada no <em>I Congresso Internacional As Artes na Educa\u00e7\u00e3o<\/em>, promovido pela Associa\u00e7\u00e3o <em>Interven\u00e7\u00e3o.<\/em>Amarante<em>.<\/em>\u00a014 a 16\/11\/2014.<\/p>\n<p>_________________________<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; 1.Clube de Cinema\u00a0 O Clube de Cinema (CC) surgiu, no ano lectivo 2012-13, da jun\u00e7\u00e3o entre duas ordens de natureza distintas, a volunt\u00e1ria e a normativa. A primeira, dado que se alicer\u00e7a na motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca da sua proponente em utilizar as curtas-metragens como instrumentos did\u00e1cticos para transmitir, problematizar e consolidar conte\u00fados; a segunda decorre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1279"}],"collection":[{"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1279"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1279\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1317,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1279\/revisions\/1317"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1279"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1279"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1279"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}