{"id":1502,"date":"2017-02-05T17:11:04","date_gmt":"2017-02-05T17:11:04","guid":{"rendered":"http:\/\/polegarmente.me\/?p=1502"},"modified":"2017-02-05T17:11:04","modified_gmt":"2017-02-05T17:11:04","slug":"las-hurdes-luis-bunuel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/polegarmente.me\/?p=1502","title":{"rendered":"Las Hurdes, Luis Bu\u00f1uel"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/bunuel1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-1503\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/bunuel1-300x160.jpg\" alt=\"bunuel1\" width=\"448\" height=\"239\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/bunuel1-300x160.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/bunuel1.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 448px) 100vw, 448px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>\u201cUn artista no puede cambiar el mundo.<\/strong><br \/>\n<strong> Pero puede mantener vivo un margen esencial de inconformidade.\u201d<\/strong><br \/>\n<strong> Luis Bu\u00f1uel<\/strong><\/p>\n<p>Ficha t\u00e9cnica:<\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o e argumento: Luis Bu\u00f1uel<br \/>\nM\u00fasica: Johannes Brahms<br \/>\nFotografia: Eli Lotar<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Ram\u00f3n Ac\u00edn<br \/>\nEspanha, 1933, 27\u201939&#8221;<\/p>\n<p>O CINEMA COMO MEM\u00d3RIA DA (DES)HUMANIDADE<\/p>\n<p><strong>Genealogia de um filme<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Las Hurdes[1] , terceira obra do realizador espanhol Luis Bu\u00f1uel, marca uma dupla ruptura relativamente a Un chien andalou (1929) e L\u2019age d\u2019or (1930).<br \/>\nPor um lado, o cineasta assume a sua cis\u00e3o relativamente a uma certa aristocracia intelectual ou seja, ao grupo surrealista de Paris a que pertencia. Por outro lado, (pres)sente-se o cinema, comprometido com a mudan\u00e7a, como arma de den\u00fancia da realidade social.<br \/>\nLas Hurdes \u2013 t\u00edtulo original, a que mais tarde se acrescentou o subt\u00edtulo Tierra sin pan -, nutre-se da exist\u00eancia mal vivida dos hurdanos. Como se o cinema fosse a mem\u00f3ria da (des)humanidade e o filme uma evoca\u00e7\u00e3o po\u00e9tica dos esquecidos das Hurdes.<br \/>\nA primeira vers\u00e3o do filme, estreada em 1933 e projectada no Pal\u00e1cio da Imprensa de Madrid \u00e9 \u201csilenciosa\u201d e o foi Bu\u00f1uel quem a comentou. S\u00f3 em 1936 \u00e9 que o realizador consegue dinheiro da embaixada de Espanha em Paris para o sonorizar.<br \/>\nFinanciado, parcialmente, pelo seu amigo libert\u00e1rio, Ram\u00f3n Ac\u00edn, fundador da revista La Ira, o filme surge como um \u201censaio cinematogr\u00e1fico de geografia humana\u201d. Mas \u00e9 preciso n\u00e3o esquecer que em 1927, Maurice Legendre publica um exaustivo estudo (a sua tese de doutoramento) sobre \u201cLas Jurdes\u201d que designa como \u201c\u00c9tude de geographie humaine\u201d[2] .<br \/>\nLendo a obra de Maurice Legendre intui-se que Bu\u00f1uel a conhecia porque as obras mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o intertextual entre si. Abordaremos esta cumplicidade mais \u00e0 frente porque o filme parece-se nutrir-se desse texto etnogr\u00e1fico. Todavia, n\u00e3o se reduz a ele.<br \/>\nLuis Bu\u00f1uel viajou para a o norte da Extremadura com Elit Lotat (fot\u00f3grafo), com o poeta Pierre Anik e Rafael S\u00e1nchez Ventura (assistentes), Ram\u00f3n Ac\u00edn (produtor), e entre abril e maio de 1933 captou atrav\u00e9s da imagem em movimento a imagem dos hurdanos. A imagem dos outros atrav\u00e9s da sua imagem.<\/p>\n<p><strong>Como se habita o inabit\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis a interroga\u00e7\u00e3o com que Maurice Legendre inicia o seu estudo e que Las Hurdes de Bu\u00f1uel desvela.<br \/>\nEmbora refutando o determinismo radical[3] , Legendre encontra uma coer\u00eancia, uma correla\u00e7\u00e3o entre os fen\u00f3menos t\u00edpicos da geografia f\u00edsica e os fen\u00f3menos da geografia humana, entre as condi\u00e7\u00f5es naturais de Las Hurdes e as condi\u00e7\u00f5es sociais, biol\u00f3gicas e psicol\u00f3gicas dos hurdanos.<br \/>\nComo se a circunst\u00e2ncia, relembrando Ortega y Gasset, e o topos, condicionassem o ser do homem e o seu devir. Como se o reino natural, que impera neste local rec\u00f4ndito mas singular, impedisse o desabrochar de uma humanidade livre e feliz.<br \/>\nNo pr\u00f3logo do filme, o cineasta aragon\u00eas adverte que a regi\u00e3o de Las Hurdes \u00e9 \u201cest\u00e9ril e in\u00f3spita, onde o homem \u00e9 obrigado a lutar, hora a hora, pela sua subsist\u00eancia\u201d[4] .<br \/>\nEstamos perante uma viagem cinematogr\u00e1fica que percorrer\u00e1 o lado mais sombrio, mas tamb\u00e9m mais profundo, do humano, a luta do homem contra a natureza, contra as epidemias e contra as \u201cdores de fome\u201d[5] .<br \/>\nAntes de mergulhar nas escarpas de Las Hurdes, constitu\u00edda por cinquenta e duas vilas e com um total de dez mil habitantes, Bu\u00f1uel filma La Alberca, uma vila profundamente religiosa, em que as casas ostentam uma inscri\u00e7\u00e3o religiosa \u201cAv\u00e9 Maria, sem pecado concebida.\u201d[6]<br \/>\nA festa sacrificial e dionis\u00edaca a que (se) assiste, adjectivada pelo narrador como \u201cb\u00e1rbara e estranha\u201d, na qual os rec\u00e9m-casados t\u00eam que arrancar \u2013 tal qual cavaleiros medievais &#8211; a cabe\u00e7a de um galo, animal dependurado vivo numa corda, sequ\u00eancia suprimida do filme em alguns pa\u00edses, \u00e9 parente afastada da festa &#8220;Queima do Gato&#8221;, de S\u00e3o Jo\u00e3o, em Mour\u00e3o, Vila Flor, no distrito de Bragan\u00e7a.<br \/>\nMas o dado que se me afigura como o mais interessante s\u00e3o os cr\u00e2nios incrustados na igreja, prefigurando o destino desta popula\u00e7\u00e3o, s\u00e3o o pren\u00fancio da morte ou das mortes que ocorrer\u00e3o. Como se a narrativa f\u00edlmica fosse circular e a morte simb\u00f3lica e presente na cena inicial fosse a morte final, a morte real, a que o espectador est\u00e1 prestes a assistir.<br \/>\nE onde h\u00e1 morte parece haver (sempre) uma igreja pr\u00f3xima: em La Alberca, na vila de Las Batuecas, na de Aceitunilla, e na vila de Martilandr\u00fa. Fic\u00e7\u00f5es ancoradas na realidade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/1-Texto-Elsa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-1505\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/1-Texto-Elsa-300x195.jpg\" alt=\"1 Texto Elsa\" width=\"451\" height=\"293\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/1-Texto-Elsa-300x195.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/1-Texto-Elsa.jpg 315w\" sizes=\"(max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mulher que vagueia \u00e0 noite pelas ruas anunciando a morte \u00e9 a mensageira que, de forma lapidar, diz ao espectador: \u201cN\u00e3o h\u00e1 nada que nos mantenha mais acordados que pensar sempre na morte\u201d. Representando a tirania ou a maldi\u00e7\u00e3o do tempo, parece uma das figuras da obra \u201cAs Velhas\u201d (1812) de Francisco Goya.<br \/>\nE durante a viagem f\u00edlmica, viagem que presentifica a vida, \u00e9 a morte que se faz protagonista, operando sobretudo atrav\u00e9s das crian\u00e7as filmadas.<br \/>\nPara Nietzsche, na obra \u201cAssim falava Zaratrusta\u201d (1833-85), a crian\u00e7a \u00e9 concebida como a derradeira metamorfose por transportar a inoc\u00eancia, a vontade de poder, de criar e de ser; no filme de Bu\u00f1uel carrega a morte, isto \u00e9, as contradi\u00e7\u00f5es dos vivos. Por exemplo, em La Alberca, as medalhas de prata crist\u00e3s que adornam o beb\u00e9 coabitam com amuletos africanos.<br \/>\nNo vale de Las Batuecas, territ\u00f3rio em ru\u00ednas, outrora habitado pelos monges das ordens das Carmelitas, onde existem dezoito eremit\u00e9rios, vive um eremita rodeado de criadas. Rostos de meninas, escravas do tempo que arruinou o territ\u00f3rio e as brincadeiras pr\u00f3prias da idade. Presas do tempo e da vassalagem.<br \/>\nMas as imagens de Aceitunilla, um dos vales mais pobres de Las Hurdes, s\u00e3o t\u00e3o intensas e chocantes, t\u00e3o absurdamente reais que parecem ter sido tecidas pela imagina\u00e7\u00e3o criadora do surrealista: iniciando uma sequ\u00eancia de imagens com uma crian\u00e7a conduzindo um porco, o espectador depara-se com a \u00e1gua insalubre do riacho onde se banham (lavam?) e bebem crian\u00e7as e animais. Um rapaz curva-se para beber e uma m\u00e3e refresca a sua crian\u00e7a para, finalmente, irromperem na pel\u00edcula tr\u00eas crian\u00e7as que amolecem o p\u00e3o da eternidade na \u00e1gua imunda, sem a qual n\u00e3o o conseguiriam tragar.<br \/>\nPercebe-se que entre os hurdanos a \u00e1gua que abunda n\u00e3o \u00e9 pot\u00e1vel, a higiene \u00e9 m\u00e1, e o p\u00e3o \u00e9 uma raridade, um luxo. E quando existe \u00e9 reservado aos doentes. As Hurdes s\u00e3o, de facto, uma \u201cterra sem p\u00e3o\u201d.<br \/>\nToda esta indignidade do humano parece anul\u00e1-lo, como se houvesse uma regress\u00e3o germinativa \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da (nossa) ancestral animalidade. Dai que Maurice Legendre afirme no estudo a que aludimos no in\u00edcio: \u201c(&#8230;) estas pessoas, reduzidas a condi\u00e7\u00f5es muito primitivas da exist\u00eancia sentem mais intensamente (&#8230;.) os sentimentos elementares atrav\u00e9s dos quais o homem se reencontra com a sua animalidade\u201d[7] .<br \/>\nO filme apresenta um total de duzentos e cinquenta e nove planos, e muitas imagens s\u00e3o de crian\u00e7as filmadas com o recurso a primeiros planos (na escola, por exemplo) e com planos de pormenor (a garganta infeccionada, por exemplo). Estes planos associados ao contraste crom\u00e1tico (branco\/preto) das imagens ajudam a intensificar a dramaticidade da narrativa e a tragicidade da exist\u00eancia.<br \/>\nNo interior da escola, os planos oscilam entre os rostos das crian\u00e7as sentadas nas carteiras e os p\u00e9s descal\u00e7os. Olhamos para estes rostos, de olhos vazios e despidos de sorrisos, e vemos o baloi\u00e7ar dos p\u00e9s, contrastando com o vestido da menina-princesa do quadro pendurado na sala de aula. E ouvimos o narrador dizer o qu\u00e3o absurdo \u00e9 este quadro. Talvez seja. Talvez n\u00e3o. N\u00e3o poder\u00e1 o quadro ser o sonho que perdura na cabe\u00e7a daquelas crian\u00e7as?<br \/>\nMuitas delas s\u00e3o \u201cPilus\u201d[8] , isto \u00e9, \u201ccrian\u00e7as encontradas nos hosp\u00edcios das Cidades de Rodrigo e Plasencia\u201d[9] que as mulheres hurdanas v\u00e3o buscar a troco de um pens\u00e3o mensal de quinze pesetas que assegura a sobreviv\u00eancia de toda uma fam\u00edlia.<br \/>\nSe em Las Batuecas existia uma muralha de oito quil\u00f3metros que protegia os homens dos ataques dos lobos e dos javalis, nas Hurdes as muralhas s\u00e3o, sobretudo, econ\u00f3micas.<br \/>\nE nem as igrejas, em ru\u00ednas, s\u00e3o espa\u00e7o real de salva\u00e7\u00e3o. Se Deus existiu nesta regi\u00e3o, escapuliu-se&#8230;<br \/>\nO cineasta critica a educa\u00e7\u00e3o concebida como mera abstra\u00e7\u00e3o. Educa\u00e7\u00e3o ornamentada por teorias (geom\u00e9tricas e morais) desgarradas dos contextos, rural ou urbano, onde se ensinam. De que serve a estas crian\u00e7as o conhecimento segundo o qual \u201ca soma dos \u00e2ngulos de um tri\u00e2ngulo \u00e9 igual a dois \u00e2ngulos rectos\u201d[10] ?<br \/>\nDo mesmo modo, o axioma moral que uma das crian\u00e7as escreve no quadro negro \u201cRespeite a propriedade alheia\u201d afigura-se rid\u00edculo, dado que \u00e9 imposs\u00edvel preservar o que n\u00e3o se possui, respeitar o que ningu\u00e9m tem.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/2-Texto-Elsa.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-1506\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/2-Texto-Elsa-300x225.png\" alt=\"2 Texto Elsa\" width=\"449\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/2-Texto-Elsa-300x225.png 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/2-Texto-Elsa-240x180.png 240w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/2-Texto-Elsa.png 640w\" sizes=\"(max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na vila de Martilandr\u00e1n percebe-se que os hurdanos vivem sobretudo da apicultura, mas as colmeias n\u00e3o s\u00e3o suas mas dos habitantes de La Alberca. H\u00e1 uma subalternidade secular dos hurdanos relativamente a esse povoado.<br \/>\n\u201cO que fazem os hurdanos para preparar a terra que lhes permitir\u00e1 comer?\u201d[11] , pergunta o narrador.<br \/>\nConstroem pequenos campos, limpando &#8211; sem recurso ao arado -, a vegeta\u00e7\u00e3o e as urzes; levantam muros de pedras para os proteger das inunda\u00e7\u00f5es e enchem-no com terra que v\u00e3o buscar \u00e0s montanhas. Trabalho sazonal que dura semanas. Os hurdanos criam o seu pr\u00f3prio adubo com folhas de secas de morango. Estendem-nas no ch\u00e3o do interior das casas e embalados pelo ritmo da sua natural decomposi\u00e7\u00e3o adormecem aconchegados aos restantes animais. Em Las Hurdes reina um anti-especismo inconsciente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/3-Texto-Elsa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-1507\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/3-Texto-Elsa-300x173.jpg\" alt=\"3 Texto Elsa\" width=\"447\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/3-Texto-Elsa-300x173.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/3-Texto-Elsa.jpg 720w\" sizes=\"(max-width: 447px) 100vw, 447px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas no primeiro ano \u00e9 que a terra produz uma colheita abundante, depois torna-se est\u00e9ril. Assim, \u201cO trabalho \u00e9 triste e infecundo.\u201d[12]<br \/>\nA emigra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o mas, ami\u00fade, grupos de trinta a cinquenta homens regressam como partiram, sem dinheiro e sem comida. A escassez de alimentos, bem como a sua variedade, debilita o organismo destas gentes, conduzindo a m\u00faltiplas doen\u00e7as. Alimentando-se, sobretudo, de batatas, padecem da doen\u00e7a das batatas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/4-Texto-Elsa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-1508\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/4-Texto-Elsa-300x225.jpg\" alt=\"4 Texto Elsa\" width=\"449\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/4-Texto-Elsa-300x225.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/4-Texto-Elsa-240x180.jpg 240w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/4-Texto-Elsa.jpg 384w\" sizes=\"(max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Las_Hurdes_Tierra_sin_pan-243250969-large.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-1510\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Las_Hurdes_Tierra_sin_pan-243250969-large-300x221.jpg\" alt=\"Las_Hurdes_Tierra_sin_pan-243250969-large\" width=\"449\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Las_Hurdes_Tierra_sin_pan-243250969-large-300x221.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Las_Hurdes_Tierra_sin_pan-243250969-large-1024x755.jpg 1024w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/Las_Hurdes_Tierra_sin_pan-243250969-large.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em La Fragosa, nas Hurdes Altas, h\u00e1 crian\u00e7as e mulheres com b\u00f3cio, homens com paludismo. E o desfilar de an\u00f5es, retardados e cretinos, relembram-me o Freaks de Tod Browning, 1932.<br \/>\nSorrisos luminosos, ensombrados pela transgress\u00e3o da normalidade[13] . Haver\u00e1 real mais surrealista?<br \/>\nE durante esta apari\u00e7\u00e3o, o tom assertivo do narrador, assessorado pela Sinfonia n.\u00ba 4 de Brahams[14] , cria um efeito de disson\u00e2ncia com as imagens, provocando no espectador um sentimento paradoxal de apego-desapego, contradi\u00e7\u00e3o conduzida pela mestria de Bunuel.<br \/>\nNunca a narrativa f\u00edlmica se alicer\u00e7ou no argumentum ad misericordiam. E se as imagens s\u00e3o provocadoras s\u00e3o-no porque toda a mis\u00e9ria \u00e9 provoca\u00e7\u00e3o[15] .<br \/>\nNuma rua deserta, uma crian\u00e7a prostrada mostra a garganta inflamada. Morre[16] tr\u00eas dias depois \u2013 diz o narrador.<br \/>\nE que dizer sobre as imagens do beb\u00e9 morto na cama e do seu ritual f\u00fanebre? Acompanhamo-lo, at\u00f3nitos, por entre o rio e os montes, perante a demanda do cemit\u00e9rio situado na vila vizinha, Nu\u00f1omoral, e compreendemos porque \u00e9 que \u201cA morte \u00e9 quase um dos \u00fanicos eventos destas terras miser\u00e1veis\u201d[17] .<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/5-Texto-Elsa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-1509\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/5-Texto-Elsa-300x212.jpg\" alt=\"5 Texto Elsa\" width=\"450\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/5-Texto-Elsa-300x212.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/5-Texto-Elsa-1024x723.jpg 1024w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/5-Texto-Elsa.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E sentimos. Sentimos os cr\u00e2nios de Alberca a surtirem efeito. Morre o galo. Morre a cabra[18] . Morre o burro[19] . Morre a crian\u00e7a e o beb\u00e9[20] . N\u00e3o ser\u00e1 o homem, um \u201c(&#8230;) Cad\u00e1ver adiado que procria?\u201d[21] .<br \/>\nTalvez resida aqui o sentimento ambivalente de repuls\u00e3o (estranhamento) atrac\u00e7\u00e3o (encantamento) de Bu\u00f1uel por Las Hurdes e pelos seus habitantes, os primeiros \u201cesquecidos\u201d[22] relembrados pelo cineasta. E talvez esteja aqui a maior diverg\u00eancia entre as obras de M. Legendre e de Bu\u00f1uel. Enquanto o primeiro n\u00e3o percebeu que a morte \u00e9 a companheira silenciosa da vida e que o homem, como refere o pensador romeno Emil Cioran, \u201c\u00e9 um animal transviado.\u201d[23] , Bu\u00f1uel reconstruindo, atrav\u00e9s desta narrativa antropo\u00e9ticovisual, a biografia dos exclu\u00eddos, concebida como caminhada agonizante ante a morte, recupera essa animalidade perdida.<br \/>\nEnquanto Legendre, concluiu o seu estudo afirmando \u201cCom toda a certeza, o exemplar humano degenerou aqui.\u201d[24] , Bu\u00f1uel percebeu que o todo o hurdano \u00e9 o her\u00f3i absurdo que recusa sucumbir perante as mais atrozes e dif\u00edceis adversidades. A desesperan\u00e7a de Legendre \u00e9 combatida pela esperan\u00e7a \u00faltima e conclusiva do filme \u201cA mis\u00e9ria que se mostra n\u00e3o \u00e9 mis\u00e9ria sem rem\u00e9dio.\u201d[25]<br \/>\nO que Luis Bu\u00f1uel proclama, tal como Kropotkine, \u00e9 simples, a conquista do p\u00e3o, ou seja, \u201c(&#8230;) o direito ao bem-estar \u2013 o bem-estar para todos.\u201d[26]<br \/>\nPor que persiste, no s\u00e9c. XXI, em ser uma utopia?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_____________________________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[1] Esta obra f\u00edlmica est\u00e1 envolta em celeuma, desde a sua proibi\u00e7\u00e3o durante a 2.\u00aa Rep\u00fablica espanhola \u00e0s oito vers\u00f5es identificadas por Javier Herrera e que englobam a sonoriza\u00e7\u00e3o, adi\u00e7\u00e3o, supress\u00e3o ou substitui\u00e7\u00e3o de planos, culminando na discuss\u00e3o acad\u00e9mica relativamente ao seu g\u00e9nero.<br \/>\n[2] Maurice Legendre, Las Jurdes, \u00c9tude de G\u00e9ographie Humanine, Bourdeaux, Paris, Feret &amp; Fils \u00c9diteurs 1927.<br \/>\n[3] \u201cA las Jurdes, la part de la libert\u00e9 n\u2019est pas tr\u00eas grande, mais elle existe.\u201d Pr\u00e9face, Op. cit., p\u00e1g. XIII.<br \/>\n[4] Vid. fotograma 45\u2019\u2019.<br \/>\n[5] Express\u00e3o da autoria de Maurice Legendre.<br \/>\n[6] Vid. fotograma 1\u201948\u2019\u2019.<br \/>\n[7] Maurice Legendre, Las Jurdes, \u00c9tude de G\u00e9ographie Humanine, Bourdeaux, Paris, Feret &amp; Fils \u00c9diteurs 1927, p\u00e1g. 107.<br \/>\n[8] Hospicianos.<br \/>\n[9] Cf. \u201cLa Lutte contre la mis\u00e8re\u201d. pp. 331-335, op. cit.<br \/>\n[10] Vid. fotograma 8\u201932\u2019\u2019<br \/>\n[11] Vid. fotograma 19\u201915\u2019\u2019<br \/>\n[12] Maurice Legendre, Las Jurdes, \u00c9tude de G\u00e9ographie Humanine, Bourdeaux, Paris, Feret &amp; Fils \u00c9diteurs 1927, p\u00e1g. 272.<br \/>\n[13] \u201cO realismo de um Zurbar\u00e1n ou de um Ribera n\u00e3o \u00e9 nada perante a verdadeira realidade\u201d. Cf. 21\u201920\u2019\u2019<br \/>\n[14] &#8220;Me pareci\u00f3&#8230; que la m\u00fasica de Brahms correspond\u00eda al esp\u00edritu general de la pel\u00edcula (Las Hurdes). Puse la &#8216;Cuarta Sinfon\u00eda&#8217;&#8230; Todo el mundo se qued\u00f3 pasmado con una cosa tan sencilla, casi idiota, porque casi siempre se buscan los efectos y las complicaciones.&#8221; In Andr\u00e9 Bazin y Jaques Doniol\u2013Valcroze: Entretien avec Luis Bu\u00f1uel, Cahiers du Cin\u00e9ma, 36, juin 1954, pp. 2-14.<br \/>\n[15] Gregorio Mara\u00f1on, eleito presidente do patronato das Hurdes rejeitou o filme de Bu\u00f1uel, acusando-o de imortalizar o lado feio das Hurdes. Relembro que Gregorio Mara\u00f1on escreveu em 1922 uma obra cujo t\u00edtulo \u00e9 \u201cViaje a las Hurdes \u2013 El manuscrito in\u00e9dito de Gregorio Mara\u00f1\u00f3n y las fotograf\u00edas de la visita de Alfonso XIII&#8221;.<br \/>\nE se h\u00e1 fealdade na mis\u00e9ria econ\u00f3mica ela \u00e9 hiperbolizada pela fealdade que constitui o desconhecimento e a apatia, sobretudo dos espanh\u00f3is, relativamente \u00e0s vilas das Hurdes.<br \/>\n[16] A crian\u00e7a, na realidade, n\u00e3o morreu.<br \/>\n[17] Vid. fotograma 22\u201938\u2019\u2019.<br \/>\n[18]Ainda que a queda da cabra n\u00e3o seja acidental, ela reproduz um acontecimento real. Como refere M. Legendre: \u00abEstas pobres cabras representam assim (ao despenharem-se) o destino tr\u00e1gico que abruma os habitantes das las Hurdes.\u00bb Op. cit. p\u00e1g. 126.<br \/>\n[19] Uma das cenas mais pol\u00e9micas do filme. O burro ter\u00e1 sido baleado e depois untado com mel para que o ex\u00e9rcito assassino das abelhas e do c\u00e3o o devorassem.<br \/>\n[20] N\u00e3o me deterei sobre aspectos amplamente analisados e criticados pelos detractores de L. Bu\u00f1uel: O filme \u00e9 um document\u00e1rio ou uma fic\u00e7\u00e3o? \u00c9 realista ou surrealista? As imagens constroem uma narrativa e uma hist\u00f3ria com objectividade ou subjectividade?<br \/>\nParece-me aceit\u00e1vel que Bu\u00f1uel tivesse planeado as cenas da queda da cabra, do burro a ser atacado pelas abelhas, da crian\u00e7a prostrada no ch\u00e3o da rua e do funeral do beb\u00e9, mas n\u00e3o creio que isso minimize o rigor do registo e a qualidade do filme.<br \/>\nBunuel \u00e9 um criador. E todo o criador \u00e9 recriador. A realidade n\u00e3o existe de per si. Existem m\u00faltiplas realidades. Tantas quantas conseguirmos criar, outorgar a carta ontol\u00f3gica.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 document\u00e1rio imperme\u00e1vel \u00e0 subjectividade de quem o realiza. N\u00e3o h\u00e1 movimentos art\u00edsticos que n\u00e3o possuam um legado de outros movimentos. O que pretendo dizer \u00e9 que o a priori n\u00e3o existe no reino da cria\u00e7\u00e3o. Porque a Arte \u00e9 enraizamento, simultaneamente, pessoal e universal. \u00c9 conflu\u00eancia, mais do que separa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE se a vida carrega, como vimos, a morte, por que n\u00e3o pode o realismo estar impregnado de surrealismo?<br \/>\nTalvez o problema do ser humano radique precisamente na sua l\u00f3gica bivalente, na imperiosa necessidade que tem em classificar, rotular, tipificar e na impossibilidade em assumir que os opostos vivificam e se complementam. E, talvez, haja artistas inconformistas cujas obras, como esta, continuem a resistir-lhes&#8230;<br \/>\n[21] Fernando Pessoa, D. Sebasti\u00e3o, Rei de Portugal, In Mensagem, Lisboa, Edi\u00e7\u00e3o \u00c1tica,1986, p\u00e1g. 42.<br \/>\n[22] No filme Los olvidados, 1950, Bu\u00f1uel relembra as crian\u00e7as das ruas do M\u00e9xico.<br \/>\n[23] Cf. La Tentation d\u2019Exister (1956), p. 890. In Oeuvres. Paris, Gallimard, 1995.<br \/>\n[24] Maurice Legendre, Las Hurdes, \u00c9tude de g\u00e9ographie humanine, Bourdeaux, 1927, P\u00e1g.487.<br \/>\n[25] Vid. fotograma 26\u201950\u2019\u2019<br \/>\n[26] Kropotkine, A conquista do p\u00e3o, Lisboa, Guimar\u00e3es &amp; C\u00aa Editores, p\u00e1g. 31.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>FILMOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LAS HURDES. Realiza\u00e7\u00e3o de Luis Bu\u00f1uel, Produ\u00e7\u00e3o Ram\u00f3n Ac\u00edn, Espanha, 1933, 26\u201957\u2019\u2019.<br \/>\nUN CHIEN ANDALOU. Realiza\u00e7\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o de Luis Bu\u00f1uel, Fran\u00e7a,1929, 16\u2019.<br \/>\nL\u2019AGE D\u2019Or. Realiza\u00e7\u00e3o de Luis Bu\u00f1uel, Produ\u00e7\u00e3o Charles e Marie-Laure de Noailles, Fran\u00e7a, 1930, 60\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">BAZIN, Andr\u00e9; DONIOL-VALOCROZE. \u00abEntretien avec Luis Bu\u00f1uel\u00bb, Cahiers du Cin\u00e9ma, n. \u00ba 36, juin 1954.<br \/>\nCIORAN, Emil. La Tentation d\u2019Exister (1956). In Oeuvres. Paris: Gallimard, 1995.<br \/>\nFUENTES, Victor. La mirada de Bu\u00f1uel. Cine, literatura y vida. Barcelona: Tabla Rasa Libros y Ediciones, 2005.<br \/>\nHERRERA, Javier. Estudios sobre las Hurdes de Bu\u00f1uel. Espanha: Editorial Renacimiento, 2006.<br \/>\nKROPOTKINE. A conquista do p\u00e3o (1892). Lisboa: Guimar\u00e3es &amp; C\u00aa Editores, 1975.<br \/>\nLEGENDRE, Maurice. Las Jurdes, \u00c9tude de G\u00e9ographie Humaine, Bourdeaux. Paris: Feret &amp; Fils \u00c9diteurs 1927.<br \/>\nPESSOA, Fernando. Mensagem (1934). Lisboa: Edi\u00e7\u00e3o \u00c1tica, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Elsa Cerqueira<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qO86FO1bs6g\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">_______________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nota Marginal Um<\/strong>: Artigo publicado na Revista de Cinema\u00a0<i>Plano Aproximado<\/i>, Fafe, Edi\u00e7\u00f5es Labirinto, Inverno de 2017, n.\u00ba 1, pp. 3-8.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/16195900_1217902464925941_7374681970063587957_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-1513\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/16195900_1217902464925941_7374681970063587957_n-213x300.jpg\" alt=\"16195900_1217902464925941_7374681970063587957_n\" width=\"313\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/16195900_1217902464925941_7374681970063587957_n-213x300.jpg 213w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/16195900_1217902464925941_7374681970063587957_n.jpg 493w\" sizes=\"(max-width: 313px) 100vw, 313px\" \/><\/a><\/p>\n<p>_______________<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cUn artista no puede cambiar el mundo. Pero puede mantener vivo un margen esencial de inconformidade.\u201d Luis Bu\u00f1uel Ficha t\u00e9cnica: Realiza\u00e7\u00e3o e argumento: Luis Bu\u00f1uel M\u00fasica: Johannes Brahms Fotografia: Eli Lotar Produ\u00e7\u00e3o: Ram\u00f3n Ac\u00edn Espanha, 1933, 27\u201939&#8221; O CINEMA COMO MEM\u00d3RIA DA (DES)HUMANIDADE Genealogia de um filme Las Hurdes[1] , terceira obra do realizador espanhol [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1502"}],"collection":[{"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1502"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1502\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1515,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1502\/revisions\/1515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/polegarmente.me\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}