{"id":518,"date":"2014-02-23T20:57:44","date_gmt":"2014-02-23T20:57:44","guid":{"rendered":"http:\/\/polegarmente.me\/?p=518"},"modified":"2014-03-14T20:05:32","modified_gmt":"2014-03-14T20:05:32","slug":"a-arca-do-eden-marcelo-felix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/polegarmente.me\/?p=518","title":{"rendered":"A Arca do \u00c9den, Marcelo Felix"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/A-Arca-do-\u00c9den.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-medium wp-image-519\" alt=\"A Arca do \u00c9den\" src=\"http:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/A-Arca-do-\u00c9den-300x123.jpg\" width=\"300\" height=\"123\" srcset=\"https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/A-Arca-do-\u00c9den-300x123.jpg 300w, https:\/\/polegarmente.me\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/A-Arca-do-\u00c9den.jpg 485w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ficha T\u00e9cnica<\/p>\n<p>Realiza\u00e7\u00e3o e argumento: Marcelo Felix<br \/>\nNarra\u00e7\u00e3o: Isabel Machado<br \/>\nFotografia: Miguel Amaral<br \/>\nSom: Ricardo Sequeira<br \/>\nProdu\u00e7\u00e3o: Christine Reeh, Isabel Machado, Joana Ferreira<br \/>\nPortugal, It\u00e1lia, Brasil, 2011, 79\u2019<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No filme de Marcelo Felix h\u00e1 uma arca e um livro primordiais. Neles coexistem os reinos vegetal e animal.<br \/>\nDesenha-se a forma, mede-se o tamanho, inala-se o perfume, percepciona-se a cor. Sente-se o pulsar da Vida.<br \/>\nTodos os nomes, todos os baptismos, concedem ser ao ser que pr\u00e9-existia. De onde adv\u00e9m esta necessidade vital de nomear, registar e ordenar a aparente desordem?<br \/>\nH\u00e1 uma sofreguid\u00e3o em outorgar a imutabilidade, a perman\u00eancia, ao fugaz. Em dilatar as impress\u00f5es (humanas) fugidias das mais variadas esp\u00e9cies (vegetais).<br \/>\nCapta-se, aprisiona-se, o vivido nas mem\u00f3rias (visual, auditiva, olfactiva, gustativa, t\u00e1ctil). Mas o retido \u00e9, ami\u00fade, esquecido.<br \/>\nA vida de uma impress\u00e3o depende da sua dura\u00e7\u00e3o. E, por isso, tamb\u00e9m a mem\u00f3ria ou as mem\u00f3rias se submetem \u00e0 tirania de Chronos. Mas a dura\u00e7\u00e3o \u00e9 c\u00famplice da intensidade, cabendo \u00e0 mem\u00f3ria afectiva &#8211; com ou sem o nosso consentimento -, hierarquizar as experi\u00eancias vividas. O que seria de uma mem\u00f3ria sem hist\u00f3ria(s)? E de uma hist\u00f3ria sem afectos?<br \/>\nO cinema \u00e9 mem\u00f3ria deambulante. A bot\u00e2nica praticada no interior da arca, mem\u00f3ria flutuante. Ambas descrevem a (nossa) realidade, reinventam o que foi, antecipam o que ser\u00e1. Pontes para o passado, or\u00e1culos do devir.<br \/>\nO homem?<br \/>\nUm artes\u00e3o de mem\u00f3rias. Mem\u00f3rias que s\u00e3o ora cristalinas, ora sombrias. Tal como o lusco-fusco das personagens dos filmes mudos que, comungando da dial\u00e9ctica apari\u00e7\u00e3o-desapari\u00e7\u00e3o, sobrev\u00e9m na retina do espectador.<br \/>\nReinventamos porque esquecemos e esquecemos para reinventar. Mas tal s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque o amanh\u00e3 se alimenta da ilus\u00e3o do recome\u00e7o. E o insone, no qual a mem\u00f3ria labuta incessantemente, n\u00e3o possui, segundo Emil Cioran, a consci\u00eancia (ilus\u00f3ria) da descontinuidade, condi\u00e7\u00e3o primeira para a consci\u00eancia que se reinventa a si mesma.<br \/>\nProcuramos conhecer o que nos rodeia, desconhecendo-nos. Preserv\u00e1mos as esp\u00e9cies, depauperando os recursos e habitats naturais. Por isso, no \u00e2mago do ser humano residem Eros e Thanatos: sementes da cria\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o. Paradoxo radical e incur\u00e1vel da condi\u00e7\u00e3o de ser do homem.<br \/>\nH\u00e1 um viajante que nos guia por esta viagem f\u00edlmica explorat\u00f3ria, mas s\u00e3o in\u00fameros os viajantes misteriosos que coabitam em n\u00f3s e nos acompanham na busca peregrina pelo sentido \u00faltimo da vida. Timoneiros desprovidos do \u201cAlmanaque da vida\u201d, elevamo-nos \u00e0 categoria de exploradores-aventureiros da(s) exist\u00eancia(s).<br \/>\nA arca, albergando uma floresta, navega sob os desvarios dos ventos, das \u00e1guas revoltas e dos desejos imorredouros dos homens. N\u2019 A Arca do \u00c9den vislumbra-se a Esperan\u00e7a que restou na caixa de Pandora. N\u00e3o interessa se \u00e9 real, sonhada ou imaginada&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Elsa Cerqueira<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/n2RD-KApwd4\" height=\"315\" width=\"420\" allowfullscreen=\"\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ficha T\u00e9cnica Realiza\u00e7\u00e3o e argumento: Marcelo Felix Narra\u00e7\u00e3o: Isabel Machado Fotografia: Miguel Amaral Som: Ricardo Sequeira Produ\u00e7\u00e3o: Christine Reeh, Isabel Machado, Joana Ferreira Portugal, It\u00e1lia, Brasil, 2011, 79\u2019 &nbsp; No filme de Marcelo Felix h\u00e1 uma arca e um livro primordiais. Neles coexistem os reinos vegetal e animal. 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